sexta-feira, 12 de abril de 2013

Distrito de Leiria - História dos Concelhos

Em 1986, quando eu estava destacado na Coordenação Distrital de Leiria de Educação de Adultos, foi-me pedido que escrevesse um texto sobre a história dos 16 concelhos que compunham este distrito.
O texto foi apresentado a 22 de Maio desse ano (1986) no programa semanal de rádio "A Viver Também se Aprende" da Direcção Geral de Educação de Adultos.



Leiria cidade, Leiria distrito, Leiria interior, Leiria litoral, no centro do País, Leiria é o tema do nosso Programa de hoje.
Habitado por povos pré-históricos, percorrido por Romanos, suevos, visigodos e muçulmanos, o distrito de Leiria tem também o seu “Campo de Ourique”, perto da nascente do Lis, onde se teria travado a célebre batalha… segundo David Lopes.
Desde as escarpas do Cabo Carvoeiro e das Ilhas Berlengas, às vertentes densamente arborizadas da Serra da Lousã, o distrito de Leiria foi berço de poetas como Francisco Rodrigues Lobo ou António Lopes Vieira, heróis como Mouzinho de Albuquerque, políticos e intelectuais.

Cá em baixo, no Sul do distrito, a escassos 80 Km da capital do País, o concelho do Bombarral foi outrora local escolhido pela fidalguia para local de seus solares. Povoado a partir do séc. XII, pertenceu ao concelho do Cadaval até 1852, passando esse ano a pertencer ao de Óbidos.
Pertença da Casa das Rainhas até 1883, Bombarral passou a sede de concelho a 28 de Março de 1914, ano em que foi elevada a vila.

Também na ponta Sul do distrito, mas no litoral, Peniche foi antigamente uma ilha e ainda o era no séc. XV. Habitada na Pré-História, como se vê na Gruta da Furninha, também os Romanos deixaram vestígios da sua ocupação.
Suplantando Atouguia da Baleia, Peniche foi elevada a vila em 20 de Outubro de 1609. Em 1557 tinham sido iniciadas as suas muralhas e D. João IV fez de Peniche uma praça
forte, depois de 1640.
O nome de Peniche teria origem em Phenix, nome de uma cidade antiga da ilha de Creta, com o aspecto aproximado da península em que está a vila.

Subindo um pouco, encontramos Óbidos, fundada no séc. III ou IV A.C. e habitada pelos Romanos. D. Afonso Henriques conquistou estas terras aos Mouros em 1148. Vila muralhada, Óbidos recebeu o 1º foral da Rainha Santa Isabel em 1326 e foral novo de D. Manuel, em Lisboa, a 20 de Agosto de 1513.
O castelo foi reconstruído no tempo do nosso 1º rei, de D. Afonso II e de D. Fernando. Três km de pedras e arcos constituem o aqueduto que nos anos quinhentos trazia a água desde a Usseira.

A seguir entramos no concelho das Caldas da Rainha, onde em 1855 nasceu o pintor José Malhoa. Elevada a cidade em Agosto de 1927, Caldas da Rainha foi fundada pela Rainha D. Leonor há 500 anos, em 1485. Deve a sua existência às termas ou “caldas”, que foram frequentadas por quase todos os reis portugueses ao longo dos séculos.
Os barros preto, branco e vermelho que existem no concelho de Caldas da Rainha foram utilizados desde a Pré-História pelos diferentes povos que por aqui passaram. A sua célebre indústria de faiança, tal como hoje a conhecemos, teve início há quinhentos anos.

Um pouco acima, o concelho de Alcobaça, onde em 1157 já funcionava o célebre Mosteiro, em construções provisórias, na Chiqueda, e que veio a ter a maior importância na vida económico-social do País ao longo dos séculos.
Nas grutas de Colastros, Lagoa do Cão, Cabeço da Ministra, Ervideira, Pera Velha Redondas e outras foram enterrados os primeiros povos da área deste concelho. As tradições de viagens de fenícios também se referem a estas populações. Mosaicos, túmulos, inscrições, escultura, o povoado do Carvalhal ou o castelo de Pirreitas documentam a passagem dos romanos pelo concelho de Alcobaça.

Passamos agora a um concelho, marítimo por excelência, o concelho da Nazaré, onde há 800 anos, em 1182, no “Sítio”, D. Fuas Roupinho se salvou de se despenhar de uma altura enorme, ao perseguir um veado.
Até meados do séc. XIX a região era muito atacada por piratas argelinos e holandeses. Por isso, só há pouco mais de cem anos se começou a conhecer a Praia da Nazaré. Antes, os pescadores apenas se podiam estabelecer no sítio da Pederneira. No séc. XVIII o mar recuou e, na 2ª metade do séc. XIX, pôde construir-se a vila da Nazaré.

Para o interior fica o concelho serrano de Porto de Mós. Habitado por povos pré-históricos, a ocupação romana está, no entanto, mais documentada. D. Sancho I mandou reedificar o castelo, erguido sobre castro romano e em frente a uma atalaia moura. O Marquês de Valença fez dele uma residência acastelada. Porto de Mós recebeu forais de d. Dinis e de D. Manuel, tendo sido doada a D. Nuno Álvares Pereira.

Logo a seguir, a Batalha, com o seu Mosteiro, um dos maiores e mais monumentais conjuntos arquitetónicos monacais da Europa, construído há 600 anos, de 1385 a 1388. N´séc. XIII os habitantes das Brancas pagavam o dízimo do sal, por ordem do rei D. Sancho II.
A povoação da Batalha foi elevada à categoria de vila em 1498.

Voltamos para o litoral e encontramos o concelho da Marinha Grande, que começou a ser povoado no séc. XVI por guardas e outros trabalhadores do Pinhal de Leiria. Criada a freguesia em 1600, instalou-se a indústria vidreira em 1748, tendo Diogo Stephens oferecido a fábrica em 1826.
Elevada a 1.ª vez a sede de concelho em 1836, a Marinha Grande tornou-se vila em 1892, tendo sido o concelho restaurado em 1827. É de 18 de Janeiro de 1934 o episódio anarco-sindicalista, contra a estatização dos sindicatos.

Estamos agora no concelho de Leiria, cujas terras foram objeto de cobiça e conquista de suevos, visigodos, muçulmanos, asturianos e mouros, antes de chegar à posse do nosso primeiro rei.
Com forais de D. Afonso Henriques e D. Sancho I, confirmados por D. Afonso II e D. Manuel I, Leiria viu o seu castelo aparecer a partir de 1135. Em diversos reinados se reuniram cortes em Leiria, tendo-se aqui estabelecido em 1492 a primeira tipografia portuguesa.
Sendo vila desde 1142, Leiria foi elevada a cidade em 1547.

Para Norte, a caminho da Serra do Sicó, chegamos ao concelho de Pombal, cuja história começa com o seu castelo, em 1161. Erguido sobre as ruinas de um castro pelo Grão-Mestre dos Templários, Gualdim Pais, foi reconstruído no tempo de D. Manuel e restaurado em 1940.
Em 1174 Pombal recebeu foral do referido Gualdim Pais, tendo a vila pertencido aos Templários até 1311.

Decididamente embrenhados na serra, entramos agora no Nordeste do distrito, através do concelho de Ansião que, por um foral régio de 1465, teve título de mordomado. Elevada à categoria de vila em 1663, Ansião viu nascer em 6 de Abril de 1738 o jurisconsulto Pascoal José de Melo.

Um pouco a Sul, Alvaiázere, onde teriam vivido os primeiros habitantes da Península Ibérica e, muito mais tarde, os Árabes e os Romanos. Repovoada no tempo de D. Sancho I, D. João I deu-lhe foral e elevou-a à categoria de vila em 1388.
Na Serra de Alvaiázere fica a gruta de Algar e a fortificação Carreira de Cavalos, do tempo dos Romanos.

Sempre para o interior, eis que chegamos a Figueiró dos Vinhos, fundada e povoada pelo famoso guerreiro D. Pedro Afonso, filho bastardo de D. Afonso Henriques.
Poucos anos após a sua fundação, Figueiró dos Vinhos foi saqueada e arrasada pelo rei mouro de Sevilha, começando a repovoar-se em 1187.
O antigo castelo, fundado pelos mouros, foi transformado em residência. Figueiró dos Vinhos foi elevada a vila por D. Sancho I, em 1175, de quem recebeu foral. Ao lado da cadeia construiu-se em 1552 uma torre acastelada.

Para Norte, já nas vertentes da Serra da Lousã, encontramos Castanheira de Pera, que até 1914 fez parte do concelho de Pedrógão Grande.
Em 15 de Novembro de 1502 um contrato aprova a fundação da Igreja de S. Domingos, no concelho de Castanheira de Pera.
O 1.º documento histórico conhecido deste concelho data de 16 de Maio de 1467 – uma sentença de D. Afonso V relativa aos pastos do Coentral e do termo da Lousã.

E terminamos este peregrinar pelo passado histórico dos 16 concelhos que formam o distrito de Leiria, entrando em Pedrógão Grande. Povoação muito antiga, mandada reconstruir por D. Afonso Henriques em 1176, que a doou a seu filho D. Pedro Afonso, já aqui citado.
Vários forais contemplaram este concelho, sendo o último de 8 de Agosto de 1513.
O famoso Frei Luís de Granada, que viveu por quase todo o séc. XVI, escreveu parte das suas obras no Convento Dominicano de Nª Sr.ª da Luz, que se situava a 2 Km a Sul da vila de Pedrógão Grande. 



quinta-feira, 28 de março de 2013

Nampula - vida militar em 1970


Encontrei agora uma "crónica", que escrevi em Nampula, publicada na separata "Coluna em Marcha" do Jornal "Notícias" de Lourenço Marques, em 17 de Fevereiro de 1970. Foi há 43 anos e lembro-me de que não publicaram tudo, porque a parte final era devastadora para com a forma como os civis tratavam os militares...

NAMPULA
Avenidas largas, traçado moderno, prédios mais ou menos imponentes. Muita gente na rua, uma farda a cada passo, grande movimento de tráfego.
Os pneus chiam, a gente olha, ao volante um "Fângio": o carro não é dele...
- Hás-de fazer isso no teu! - grita com cordial indignação um ou outro que passa.
E ele ri; e ele repete...
Uma saia passa, todos olham: coisa rara! Mesmo que a dona não deva nada aos atributos da Natureza. Eles assobiam, elas convencem-se. Mesmo que não tenham nada por se convencer.
De manhã cedo, giram os primeiros automóveis, circulam as primeiras pessoas: militares (no plural).
Com o sol a subir, passam Unimogs e Jeeps, que transportam indivíduos para outro dia de trabalho: fardas.
Ao meios dia o mesmo movimento em sentido contrário. O mesmo aspecto: soldados.
Depois do almoço enchem-se esplanadas.
- Rapaz, café!
Às duas e a partir das cinco, o quadro aparece de novo.
E, à noite, os cafés, as esplanadas, as pastelarias, bares, cervejarias e outros pontos de reunião regurgitam: mas se mandassem por o dedo no ar aos militares presentes, arranjavam-se dedos para muitas mãos.
Do outro lado da cidade - os civis. São poucos e guardam ciosamente o direito de se manterem sós.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O caso de Chipre - opinião de Adriano Moreira

Jornal PÚBLICO de 27/03/2013


O pirata de Espronceda
por ADRIANO MOREIRA
A alarmante intervenção proposta para Chipre, uma ilha à qual o doloroso processo da independência e da partilha, quando a Carta da ONU oferecia já o mais pacífico dos presentes, e um futuro de paz e prosperidade, faz lembrar o poema de Espronceda sobre o Pirata que navegava anárquico e feliz pelo Mediterrâneo, livre de qualquer das limitações que embaraçam governantes ocupados com as tarefas dos Estados, e do alargamento do poder dos agentes.
Não tem sido fácil encontrar quem se assuma como responsável pela inesperada iniciativa do imposto sobre os depósitos privados, um silêncio proporcionado pelo recolhimento oferecido pela sala de reuniões do Eurogrupo, tendo apenas transpirado agora que "as negociações foram duras".
Provavelmente um exagero de protecção de imagem para uma reunião que teve a unanimidade dos votos, e conseguiu acrescentar mais um alarme às inquietações das populações da União. A política da União já provocou a fadiga fiscal dos contribuintes, que progressivamente colocam de lado a confiança nos princípios dessa União, para esperarem inquietos pela criatividade dos resguardados responsáveis, que parece terem decidido assumir a imaginativa liberdade cantada por Espronceda agora num Mediterrâneo que exige, por muitas e evidentes razões, que o bom senso europeu não emigre para paragens desconhecidas.
Sobretudo, é alarmante, entre os argumentos que circulam, para justificar a iniciativa que não tem pai certo, a afirmação de que a dimensão de Chipre, ilha partilhada, com pouco mais de um milhão de habitantes e um PIB de 17,8 milhões de euros, não oferecia outra hipótese ao resgate, quer no domínio dos impostos sobre o consumo quer no do corte das despesas, senão o da expropriação que o Parlamento do Estado recusou.
A convicção de que o projecto europeu é de unidade fica seguramente abalado, pelo menos nos países, e não são poucos, que, olhando à sua dimensão, ficam mais inquietos com o futuro, e com a validade da prudência que terá inspirado a decisão de aderir ao projecto.
Também é inquietante não ter ocorrido aos decisores, que envolvem de nebulosidade as responsabilidades partilhadas, que não é um argumento, é antes uma ameaça, declarar que o caso de Chipre é excepcional e não se repetirá em relação a qualquer outro membro da União, porque fica de pé o direito a usar a excepcionalidade.
Neste caso, os motivos do alarme dos cidadãos talvez resultem fundamentalmente da volumosa crónica de erros sobre as previsões, as prospectivas, e as promessas falhadas que povoam o trajecto da União, cada vez mais afastada dos textos legais e mais submissa a sinais de directório de lamentável memória.
Passar de credibilidade sem mácula pelos acidentes desta crónica é um milagre que nenhum responsável pode esperar. O facto é que o valor da confiança, nas lideranças que existem, nos textos legais, nos valores do projecto que sarava as feridas profundas das guerras civis do espaço europeu, está perigosamente abalada, sendo cada vez mais evidente que estão a ressuscitar, sem projecto, o limes romano, separando a Europa rica da Europa atingida pela pobreza.
A nova fronteira a norte do Mediterrâneo, mostra que o número de Estados e povos atingidos já é mais do que suficiente para exigir um comportamento de maior autenticidade na aplicação dos projectos e dos tratados em vigor, tornando evidente, para ambos os lados dessa fronteira, que o falhanço do regionalismo europeu trará consigo a perda da importância da voz europeia no mundo. Tendo ainda de lamentar-se a imprudência de não ter em conta a situação inquietante do próprio Mediterrâneo, e a área sensível onde está situado Chipre, para apenas se inquietarem com o facto de lhe ser imputada a facilidade com que protegem capitais estrangeiros, incluindo a lavagem de dinheiro, tudo coisas essas que a União deveria especificamente combater, porém sem limitar as suas decisões às finanças de apenas um Estado parceiro, para se preocupar com o facto de que em todos os Estados europeus, sem distinção de tamanho, existem pessoas, que constituem povos, que são parte da Europa em perda de conceito estratégico.

segunda-feira, 18 de março de 2013

RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE - FUNDADO FAZ HOJE 80 ANOS!



O Rádio Clube de Moçambique (RCM) foi fundado em Lourenço Marques a 18 de Março de 1933, com o nome de Grémio dos Radiófilos - faz hoje 80 anos.

Á data da sua transformação na actual Rádio Moçambique, o RCM tinha os seguintes Canais:

- Programa "A" em Português, 24 horas por dia, em Ondas Curtas e Médias;

- Programa "B": em Inglês e Afrikaans, 24 horas por dia, em Ondas Curtas e Médias;

- Programa "C", em Português, das 18h30 às 23h00, em Onda Média e Frequência Modulada (FM);


- Programa "D", em Português, em três períodos de emissão, em Onda Média e que transmitia também o programa da Rádio Universidade às segundas, quartas e sextas, das 22h00 às 24h00;


- A Voz de Moçambique, em Ronga, Shangane e Português, 24 horas por dia, em Ondas Curtas e Médias;


- Emissores Regionais, em Português e línguas locais, em Ondas Curtas e Médias, situados em Nampula, Quelimane, Porto Amélia, Vila Cabral, Tete, Beira, Vila Pery, Inhambane (Caixa Postal 196) e Xai-Xai.

sábado, 2 de março de 2013

NACIONALIDADE DOS PAPAS

No momento em que o Papa Bento XVI se retira, vem a propósito dizer que este foi o 8.º Papa de nacionalidade alemã, de uma longa lista de 265 chefes da Igreja Católica Apostólica Romana.
Os italianos estão em grande maioria, porque somam 180 Papas, seguidos dos provenientes do Império Romano - 47 - e de 18 franceses.
Portugal teve um Papa (João XXI), que teve um pontificado breve, de 20 de Setemb...
ro de 1276 a 20 de Maio de 1277.
Mas Portugal pode ter tido dois, se considerarmos que Dâmaso I nasceu em território que viria a ser português (em Guimarães ou em Idanha a Velha). Foi eleito no ano de 366 e faleceu em 384.
De África vieram três Papas:
- Vitor I, de 189 a 199, da Tunísia;
- Melquíades, de 310/311 a 314, do Norte de África;
- Gelásio I, 492 a 496, também de origem africana.
Há mais de 1500 anos que não há um Papa Africano. Será agora?

VATICANO - RÁDIO E TELEVISÃO


VATICANO TV

 Com os acontecimentos que se esperam no Estado da Santa Sé, o Mundo está com os olhos postos na Praça de São Pedro.

 A Televisão do Vaticano transmite em direto todos os factos importantes, que se passam naquele Estado.
 Em permanência, aquela TV mostra apenas a Praça de São Pedro.

 Para veres, por favor clica em
http://player.rv.va/vaticanplayer01.asp?language=it&visual=VideoNews



RÁDIO VATICANO
Por sua vez, a RÁDIO VATICANO está acessível em cinco canais, sendo o n.º 5 o programa local de Roma e Lazio em FM e Onda Média, EM LÍNGUA ITALIANA, 24 horas por dia. Podes selecionar o teu canal em

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Poema "Não Queremos Este Mundo"

POEMA
"NÃO QUEREMOS ESTE MUNDO" , 
de Deolinda Domingues Alves, Leiria.

Nostalgia,
Depressão,
Incertezas no caminhar
Que nos impedem de contemplar
A limpidez do céu azul

Quantas vítimas inocentes
Expostas à crueldade
De quem lhes mata a dignidade!

Uma depressão colectiva
Daqueles que ainda vivem
Acorrentados ao tronco
E dos que expõem as suas chagas
Às mãos da caridade

O enriquecimento ilícito,
A contribuir para a fome
De quem tanto labuta
E pouco ou nada come

A angústia dos velhos
Em lugares esquecidos,
Companheiros da solidão,
Apenas senhores do abandono
E da terrível ingratidão

Donos de uma triste sorte
E de tudo quanto lhes apressa a morte

O drama das crianças,
Raptadas,
Mortas,
Violadas!...

Crianças,
A quem apagaram o brilho do olhar
E a quem lhes foi roubado
O direito de erguerem cânticos à vida
No seu mundo maravilhoso

Deolinda Domingues Alves (Leiria)